
O texto é de Lela. Alguém teria imagem melhor
pra ilustrá-lo?
Arrisquem.
Aproveitem e bebam as palavras dela.
Beijos e avante!!!
Querida Lane
Amei saber que você abriu essa cortina do motivacional e estará sempre me vendo no entorno desse tema. Amo escontrar pessoas que falam o que eu penso[ou nao] e lendo uma crônica de Zeca Baleiro, meu poeta maior que de tão gigante cabe inteiro no meu coração, percebo o quanto ele consegue verbalizar o meu pensamento... Divido com você e com Leone essas palavras que são dele na autoria e na expressão mas que também sao minhas no sentir. Acho importante e é também alusivo as fotos de Oprah.
VENDE-SE BELEZA
Nunca se falou tanto em beleza. Revistas especializadas são despejadas às dezenas nas bancas de revista toda semana, programas de tv são inteiramente dedicados ao tema, teses, palestras, conversas de botequim. Também nunca houve tanta ofertas de seus produtos, desde cirurgias e tratamentos até hotéis e spas devotados à “causa”. É a ilusão de que qualquer mortal, mesmo o mais “desqualificado” para tal, possa comprar beleza, da mesma forma como compra fósforos num supermercado que alimenta tão doentia industria, inflada (como corpos e egos) ao limite da loucura.
Mas a beleza nem sempre teve esse perfil anoréxico, anguloso e asséptico dos dias que correm, e por isso tão perseguido. As musas das telas renascentistas tinham gordurinhas de sobra e transpiravam sensualidade em seus nus voluptuosos, alem do que suas “sobras” eram também um símbolo de fartura matéria. Outros cânones de beleza existiram os mais variados, como a palidez romântica que contaminou o ambiente não só literário do século dezenove ou a desgrenhada silhueta da era flower and power.
Foi Hollywood, com suas Gildas, Sabrinas e Lauras, que ajudou a plasmar no imaginário do homem moderno um recorte irreal e aristocrático de beleza, mas mesmo nesse antro de beldades, sempre houve lugar para “outras belezas”, rostos exóticos, alguns quase feios, uns cheinhos e outros andróginos. Marlene Dietrich, Bette Davis, Anne Baxter e Greta Garbo estão aí e não me deixam mentir.
A recente descoberta de que Cleópatra não tinha a cara da Elizabeth Taylor, ou seja, não era bonita assim, ou, melhor dizendo, era feia pra dedéu, reacendeu a crença alentadora pra muitos, de que a beleza de fato não é tudo. A tal “beleza grega”, plasticamente perfeita em suas formas, traços e medidas, a beleza mítica certamente existe – e naturalmente não é invenção do cinema americano -, mas não é pro bico de todos. Seria lindo um mundo povoado por Julias Roberts e Brads Pitts, mas também seria um tédio. O certo é que por mais que se tente enquadrar as pessoas em padrões pré-concebidos de “beleza” (seja ela grega, americana ou etrusca), sempre haverá (graças a Deus e Afrodite!) controvérsias e um grande mistério em torno desse discutível conceito. Ademais, quem poderia dizer racional e convictamente “como se mesura a beleza”?
Outro conceito, o da “beleza interior”, este parece cada vez mais deslegitimado pelo uso piegas e sentimental, e também pelo crescente nivelamento dos “interiores”, se é que me faço entender. E aqui me reporto a duas piadinhas, infames e geniais, sobre o tema. Uma delas uma canção-piada do sátiro compositor paulista Mario Manga, que começa dizendo: “uma vez minha tia disse para mim / até que você não é tão feio assim / pois o que conta é a beleza / que esta dentro de você” – pra concluir com fina ironia: “olhe só que pâncreas / olhe só que pulmão... eu tenho um esôfago sexy / uma traquéia cumprida / uma laringe gostosa / que vai mudar a sua vida”. A outra, uma frase mortal que ouvi de um amigo carioca: “o que mais me interessa numa mulher é a beleza interior. Uma vez no interior, beleza!”.
Apesar de o mundo contemporâneo supervalorizar e exaltar a beleza, mesmo o que a bordo de velhos e higiênicos clichês, e de conduzi-la a um patamar cada vez mais excludente (um andor cujas santas são modelos magérrimas, sem “sustância” nem alma), parece não haver duvidas, mesmo pra esse mundo cosmético, que beleza só não basta, sempre carecerá de agradar os outros (também vagos) atributos, tais como charme, simpatia, sex appeal, “carisma” (outro mistério!), argúcia (beleza burra é beleza triste!) e mesmo o popular borogodó.
Assim, parodiando Vinicius, que em sua antológica frase pediu desculpas às feias, eu ousaria dizer, à guisa de provocação e receita: “os lindos que me perdoem, mas borogodó é fundamental!”.
Zeca Baleiro.
No seu blog tão musical que viaja entre Zeca e Pink Floyd receba o carinho de quem acha o Zeca Baleiro e Nando Reis os caras com as caras mais lindas do Brasil. Eu Lela, farta de carnes, poesia e musicalidade continua vivendo assim: tendo Paixão pela HUMANIDADE em geral e pelos SAPOS em particular...
Beijossssssssss